Sono Pobre, Economia Fraca

É indiscutível que dormir bem nos torna mais felizes, mais produtivos, mais relaxados e com melhor raciocinar. Por outro lado, o sono insuficiente implica o aumento da mortalidade e morbilidade, o que significa um aumento nos gastos com a saúde. Mas há também outras perdas, como perda de produtividade, aumento de acidentes de trabalho e má tomada de decisão, que acabam custando bilhões de euros à economia [HSTT16]. Os dados recolhidos em cinco países industrializados, Canadá, EUA, Alemanha, Reino Unido e Japão, sustentam que há uma perda combinada de 680 milhares de milhão de euros (do Inglês Americano, bilhões) a cada ano. A figura abaixo mostra os valores individuais de cada nação, juntamente com sua percentagem relativa do Produto Interno Bruto (PIB) dessas nações.

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Figura 1. Fonte: [HSTT16]

Para colocar em perspetiva, a tabela 1 compara o custo económico do sono insuficiente com o investimento por país em “pesquisa e desenvolvimento” e “saúde”. Se os países criassem melhores condições para dormir, isso não apenas reduziria os custos com saúde, mas também recuperaria independentemente capital suficiente para patrocinar 50-100% dos programas Desenvolvimento e Pesquisa.

Tabela 1: Comparação de gastos em Desenvolvimento e pesquisa, assistência médica e o custo económico do sono insuficiente como percentagem do PIB.

Para Portugal, uma pesquisa realizada pela “Sociedade Portuguesa de Pneumologia” mostra que uns alarmantes 46% das pessoas inquiridas dormem menos de 6 horas por dia [Tiag19]. Além disso, 32% das pessoas inquiridas dizem que dormem mal e 40% admitem ter dificuldades em permanecer acordadas durante o dia. Dando crédito a esses números, um outro estudo que analisa a duração do sono, estilos de vida e doenças crónicas coloca a duração do sono curto (definida no artigo como menos de 5 horas de sono) em 20,7% dos inquiridos [RDRS18]. Com base nas estimativas para a Alemanha, o impacto da falta de sono em Portugal poderá muito bem ser cerca de 2,4% do seu PIB.

Implementar pelo menos o horário padrão permanente, prolongaria o tempo de sono e, como tal, reduziria os custos do sono insuficiente, contribuindo como tal para uma economia mais forte.