Custos de Saúde

Imediatamente após a mudança do relógio para o horário de verão, um aumento nos custos de saúde e mortalidade é observado:  

  • Aumentam os custos com os serviços de saúde (a perda é estimada em 4 milhões de euros por 1 milhão de cidadãos, ao longo de quatro dias) [JiZi20];

  • Aumenta a mortalidade súbita devido a um aumento repentino de ataques cardíacos (aumento de 24% nos ataques cardíacos diários [SaSG14]) e acidentes rodoviários (aumento de 6% no total, sendo os locais mais a oeste no fuso horário mais afetados [FVWV20]).

 

Uma estimativa do custo de perda de vida foi apresentada em 0,44 milhão de euros por 1 milhão de cidadãos na Alemanha [JiZi20 , Smit16],ou seja, uma pera de cerca de 37 milhões de euros.  Enquanto esperamos por uma estimativa mais concreta para Portugal, assumindo igual ou semelhante impacto, e considerando que a admissão hospitalar em Portugal custa aproximadamente ¾ da Alemã [JiZi20, Manu14], a perda é em cerca de 3.4 milhões de euros para Portugal. No entanto, o impacto da perda de vidas humanas não deve ser de forma alguma ser limitada a um mero balanço económico.

Mas ainda com maior impacto, bem superior às perdas temporárias, experienciadas imediatamente após a mudança da hora na primavera, são os custos de saúde associados a um horário de verão permanente. Com este, vive-se num fuso horário muito errado, o que tem sérias consequências para a saúde [GiMa19, HSTT16], sendo uma delas um aumento do risco de cancro [Bori11a , Diem00, GXDZ17, VWVH18].

Para estimar a influência de um horário de verão permanente nos custos de saúde, foram consultados estudos que comparam populações situadas entre as regiões a leste e a oeste das fronteiras dos fusos horários [GiMa19].

Tal como mostra a figura 1, no lado leste da fronteira, o nascer e o pôr do sol ocorrem uma hora social mais tarde do que no local oeste, embora os tempos solares permaneçam os mesmos (o nascer do sol, por exemplo, ocorre simultaneamente em termos absolutos, mas as pessoas no lado oriental da fronteira diriam que ocorre às 8 horas, enquanto que o lado ocidental diria que ocorre às 7 horas). Esta diferença horária social de uma hora, corresponde à diferença entre o horário padrão e o horário de verão. As pessoas a leste da fronteira de fuso horário vivem com o horário de verão permanente em comparação com as pessoas a oeste da fronteira de fuso horário. Um estudo que compara os custos de saúde a leste e oeste da fronteira do fuso horário chega à seguinte conclusão: os custos de Saúde para os distritos no lado leste da fronteira aumentam em pelo menos 2,35 mil milhões de dólares (82$ per capita) por ano (cerca de 2 mil milhões de euros), relativamente aos distritos do lado oeste da fronteira do fuso horário [GiMa19].

Time Zone Border_PT.png

Figura 1: Hora local do nascer e o pôr do sol a leste e oeste da fronteira entre fusos horários. Fonte:  [GiMa19]

Se a despesa adicional de $82 per capita por ano for comparada ao valor do custo de saúde nos EUA de $10.738 per capita em 2017 (de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças - CDC), isso corresponderia a um aumento de 0,76% nos gastos da Saúde com um horário de verão permanente, relativamente a um horário padrão permanente. Deve-se porém mencionar que o estudo citado não considera o espectro completo de complicações de saúde decorrentes do horário de verão. Foram considerados gastos com obesidade, diabetes, ataques cardíacos e doenças cardíacas, apoplexia, assim como o cancro da mama, próstata e cólon. Mas gastos com, por exemplo, doença mental, doenças neurodegenerativas, doenças autoimunes ou distúrbios do sono não foram considerados, embora estudos científicos demonstrem ou indiquem o aumento da sua probabilidade de ocorrência devido ao horário de verão (ver seção "Saúde"). Portanto, é de se esperar que o aumento real dos custos de saúde devido ao horário de verão permanente seja bastante superior às presentes estimativas. Infelizmente, ainda não existe uma estimativa abrangente em que sejam considerados os custos de todos os problemas de saúde presentemente associados ao horário de verão.

Com base nos dados disponíveis (2018) [Oec: 00, Thea00] e assumindo impacto semelhante ao observado nos EUA, um horário de Verão permanente em Portugal traria custos adicionais de saúde em cerca de 146.7 milhões de euros, relativamente ao horário padrão permanente. Considerando que passamos 7 meses em horário de Verão, o impacto económico presente do horário de Verão na saúde rondará os 85.6 milhões de euros.